sexta-feira, 18 de maio de 2012

A verdade sobre nossa Mídia.

Como os barões da mídia acuaram os parlamentares da CPI do Cachoeira

via Brasil 247
João Roberto Marinho (Globo) e Fábio Barbosa (Veja). Fotomontagem: 247.
Foi o chamado ataque em pinça. Numa ponta, um dos principais empresários de mídia do País, João Roberto Marinho, herdeiro das Organizações Globo. Na outra, o baqueiro chamado a comandar o Grupo Abril, Fábio Barbosa. A cada um deles, uma parte da missão que buscava o mesmo fim: evitar, a qualquer custo, a convocação à CPI do Cachoeira do jornalista Policarpo Junior, redator-chefe da revista Veja. Ele é suspeito de ligações extravagantes com o contraventor Carlinhos Cachoeira, sua fonte de informação durante cerca de 20 anos. Mais ainda, coube aos dois patrões eliminar o mínimo vestígio de possibilidade de chamamento oficial, pela mesma CPI, do empresário Roberto Civita para depor. A eventual ida de Policarpo à sessão da Comissão passou a ser vista, pelo patronato, como um precedente perigoso para o futuro. Mas ver Civita sendo inquirido seria interpretado como uma verdadeira humilhação para toda a classe. Como se viu pela lista convocados a depor na CPI, aprovada na reunião da quinta 17 depois de muitas divergências, a estratégia patronal deu super certo. Nem Policarpo, e muito menos Civita, constam do rol de suspeitos, testumunhas ou simples depoentes. Para esse desfecho, porém, osdois movimentos foram cruciais.
Dias atrás, João Roberto tomou o jatinho da Globo para desembarcar em Brasília à fim de participar de um jantar marcado a seu pedido. Diante dele se postaram os principais líderes do PMDB nacional, a exceção do presidente do Senado, José Sarney, em período de convalescência médica. O recado foi dado de forma direta: seria inaceitável, pela Globo, a convocação de Policarpo. A de Civita, inimaginável. O filho do Dr. Roberto argumentou, sem fazer questão de ser afável, que estaria aberta uma perigosa porta para a dissecação das relações da mídia com todo o mundo político, e não apenas entre Policarpo e Cachoeira. Ficou claro que a diretriz de barrar o chamado a Policarpo deveria ser seguida à risca, pela unanimidade dos integrantes do partido na CPI, sob pena de os dissidentes serem tomados como adversários da Globo.
Após a verdadeira enquadrada do líder da Globo sobre o partido, chegou a vez de Fabio Barbosa, presidente do Grupo Abril, fazer um tête-à-tête com ninguém menos que o ex-secretário nacional do PT, José Dirceu, reconhecido como a maior liderança individual da agremiação depois do ex-presidente Lula. O papo, sem testemunhas, resultou na versão de ter sido bastante ameno, mas com Barbosa deixando claro que a Abril e seu carro-chefe, a revista Veja, não esqueceriam jamais dos parlamentares que, agora, ignorassem aquele apelo.
Os resultados dos dois movimentos coordenados foram exatamente os buscados pelos patrões que entraram forte no braço-de-ferro com os partidos. Na sessão da quinta 17, o senador Fernando Collor ficou praticamente sozinho, sem ouvir um eco em seu apoio sequer, no requerimento que fizera pelo resgate da gravação do depoimento de Policarpo na CPI dos Bingos, no qual o jornalista professou a idoneidade de Carlinhos Cachoeira. Nem PMDB nem PT apareceram para lhe dar respaldo – e a mágica da evaporação política que João Roberto e Fabio Barbosa queriam, plim! plim!, aconteceu.

Mídia

Esta foto representa os reais interesses da nossa mídia que não é o de informar seu público, mas sim de servir seu verdadeiros patrões.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Homenagem às mães do campo.


CARTA DAS MÃES SEM TERRA

Falamos aos filhos e filhas da terra, de todas as nações. Aos que não foram convidados para o banquete. Aos que por séculos esperam na fila da história. Não seremos espectadoras de um filme esperando a luz se apagar. É tempo de acreditar na possibilidade de vencer a dor.
Levantamos-nos com as mães que perdem seus filhos e filhas nas guerras, nas chacinas urbanas, no cano de fuzil, nos campos de concentração, nos atos de femicídios e genocídios, na violência doméstica, nas perseguições políticas, nas cercas aramadas. Nos levantamos com as mães que perdem seus filhos e filhas por não ter o leite, o pão, a terra e o acesso aos conhecimentos acumulados pela humanidade. Nos levantamos com as mães que perambulam com seus filhos e filhas em busca de um mundo novo. Nos levantamos para clamar por justiça social e dignidade!
Erguemos nossas mãos, nossas enxadas, nossas foices e nossas consciências para convocar todas as mulheres trabalhadoras do mundo para nos unirmos contra os exploradores da terra, da vida, da nossa força de trabalho e do nosso corpo.
Dirigimos-nos aos que se dizem senhores do mundo. Não queremos e nem pedimos sua permissão para cortar cercas e semear flores e sonhos. Não lhes falaremos palavras dúbias. Estamos em luta pela terra, água, em defesa das sementes e da biodiversidade, pelo direito de decidir sobre nossa vida, nossos alimentos, pelo direito ao trabalho, por nosso futuro e pela solidariedade entre os povos.
O “desenvolvimento e a modernidade” avançam sobre o mundo e abrem feridas. Em seu nome outorgam-se leis que colocam em risco a humanidade. Contra o deserto verde e a desesperança rompemos o silêncio e denunciamos o pó sobre o sonho e o cárcere das flores. A sua modernidade é da escuridão e da fome, por isso, não nos serve. Não ousem senhores, dar um passo a frente com seu projeto de morte.
A manipulação criminosa da biogenética, os monocultivos, o agrocombustível e o agronegócio vêm atentar contra a soberania alimentar e a possibilidade de um mundo ecologicamente correto e socialmente justo. Não permitiremos a destruição da humanidade. Saibam senhores, não aceitaremos que assassinem nossos filhos e filhas seja por violência ou por falta de comida.
Neste dia das mães reafirmamos nossa determinação em transformar o campo em espaço de esperança, de alegria e acima de tudo, de luta. No nosso projeto, todos e todas têm direito a uma vida digna, a melhores condições de vida, ao aroma e perfume das flores. Queremos transformar o mundo para que seja mais justo e igualitário. E que sejam respeitados todos os sujeitos que dele fazem parte.
Seguiremos semeando a inquietude revolucionária por reforma agrária, por justiça social e por soberania popular e alimentar. Essa é a nossa missão, e assim deverá ser para todas as mães camponesas perseguidas pela violência do agronegócio e hidronegócio.
A todas as mães do mundo inteiro só resta a organização e a luta. Lutemos incansavelmente contra o sistema neoliberal que transforma os alimentos, a água, a terra, os conhecimentos dos povos e o corpo das mulheres em mercadorias.
É chegado o tempo de exigir justiça e punição aos responsáveis pela exploração, pela violência, pelo genocídio, pelos massacres.
É chegado o tempo de erguer novas paisagens, novos homens e novas mulheres.
É chegado o tempo de vislumbrar o novo horizonte. Estamos de pé vigilantes e esculpindo noite e dia a fertilidade e a rebeldia que nascem das entranhas da mãe-terra.
Viva a mãe terra. Para que vivam as mães da terra.
Maio de 2007
MST - Reforma Agrária: Por Justiça Social e Soberania Popular!

sábado, 12 de maio de 2012

Mensagem ao povo brasileiro. Vamos democratizar a mídia.

Campanha Veja outras Caras
Para fazer parte da Campanha Veja outras Caras, basta simplesmente levar consigo, sempre que for passar por uma sala de espera, algumas boas publicações e “trocar” seu material de leitura pelo lixo que estiver disponível.
Vinicius Souza vgpsouza@uol.com.br
Maria Eugênia Sá mge_sa@yahoo.com.br
 
De nada adianta berrar contra a mídia hegemômica se não houver alternativas à disposição da população. Se a televisão brasileira e os jornalões são dominados por um punhado de famílias, e as rádios comunitárias e livres continuam sob repressão de políticos e igrejas que não querem dividir o dial, as publicações dos trabalhadores em papel não sofrem a mesma perseguição. Mas a distribuição em bancas também é dominada por um cartel que se recusa a entregar as revistas de maior circulação para quem insiste em vender material de “concorrentes”. Já que os donos de bancas não podem prescindir economicamente das hegemônicas e as tiragens das populares são menores, estas, quando são vendidas, normalmente ficam de fora das prateleiras mais visíveis e quase nunca nas vitrines. Além disso, devido aos custos de papel e produção, os preços também não podem ser muito diferentes...

Como, então, levar ao público leitor uma informação alternativa de qualidade e de graça ? Nossa humilde sugestão é a singela Campanha Veja outras Caras ! A ideia é simples : trocar algumas publicações da mídia hegemônica disponíveis em lugares públicos, por revistas, jornais, boletins e outros materiais de conteúdo diferenciado. Afinal, quem já não teve de ficar horas na sala de espera de um consultório, escritório ou repartição tendo à mão para leitura apenas revistas sobre a vida das “celebridades” ou panfletos da direita disfarçados de semanários pseudo-informativos ? E o que é pior : essas publicações normalmente são antigas, perpetuando sua condição hegemônica (como se não houvesse alternativa) e reafirmando conceitos e ideologias que quando não são francamente mentirosos ou preconceituosos, são contrários aos interesses dos trabalhadores, como o estímulo ao consumismo e à manutenção do status quo.

A Campanha Veja outras Caras não requer prática nem tampouco habilidade. O investimento financeiro, quando ocorre, é irrisório por ser distribuído entre vários agentes e sempre absorvido intelectualmente pelos autores antes das ações. Pode ser considerada uma prática de guerrilha midiática, mas não é ilegal nem traz danos às pessoas atingidas, a não ser talvez ao seu preconceito. E você ainda pode se livrar do acúmulo de papel em casa, que na era da Internet serve mais para juntar poeira e atrair cupins.

Para fazer parte da Campanha Veja outras Caras, basta simplesmente levar consigo, sempre que for passar por uma sala de espera, algumas boas publicações já lidas, atuais ou não, ou até mesmo textos interessantes impressos em papel reutilazado (verso de sulfite já usado). Também valem fanzines, revistas semanais ou mensais que você considere de real credibilidade, jornais de bairro, quadrinhos, publicações sobre cultura, música, literatura, culinária, viagens e até livros que estejam apenas ocupando lugar nas estantes. Aí é só “trocar” seu bom material de leitura pelo lixo que estiver disponível. E dar um fim decente ao papel “recolhido”, como mandar para reciclagem, forrar a caixa de areia do gatinho, fazer esculturas de papier mâché, acender o carvão do churrasco...
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